ENTRE IMPOSTOS, OUTONO E INDIGNAÇÕES

 


Mais um dia comum amanhece no outono de 2026, e a pacata cidade de Penedo, em Alagoas, acorda estarrecida ao ver os meios de comunicação anunciarem mais uma taxa a ser cobrada dos simples contribuintes, já tão sobrecarregados pelos serviços públicos. Desta vez, o anúncio partiu do comandante do Corpo de Bombeiros, cuja sede está instalada no município: a famigerada taxa de incêndio.

Baseando-se em outras cidades de Alagoas que já realizam essa cobrança, o comandante anunciou com a maior naturalidade a criação de mais uma taxa para os pagadores de impostos — aqueles que, apesar de tudo, ainda não se cansaram de arcar com responsabilidades que deveriam ser do Estado. “Ainda não sabemos como será a cobrança, mas deverá ser a partir do mês de julho ou agosto”, afirmou.

Segundo o site impostometro.org, o Brasil está entre os países que mais cobram impostos no mundo. Os percentuais arrecadados pelo governo brasileiro giram entre 32% e 34% do PIB. É lamentável constatar que um terço de toda a riqueza produzida no país vem da arrecadação de impostos pagos por quem trabalha para ter uma vida digna. O Brasil parece bater recordes de impostos e taxas todos os anos. Para os legisladores — que têm todas as suas despesas custeadas pelos contribuintes — talvez seja motivo de orgulho anunciar mais uma taxa “para a felicidade da nação”.

Em 2024, o Brasil bateu recorde de arrecadação, alcançando o montante de R$ 2,7 trilhões, segundo o G1. As mudanças foram influenciadas pelo crescimento econômico, pelo aumento da massa salarial, por alterações tributárias e, principalmente, pela intensificação da fiscalização. Para um país em desenvolvimento, isso não deveria ser considerado um exagero, pois, quando os serviços públicos funcionam bem, as contas tendem a fechar com saldo positivo. O problema é que o país se chama Brasil.

A eficiência na cobrança de impostos — considerados entre os mais caros do mundo — contrasta com a ineficiência do poder público na hora de gastar esses recursos. É claro e notório que o governo é despreparado para lidar com números, especialmente quando seu objetivo parece ser apenas arrecadar cada vez mais. Percebe-se claramente que o governo brasileiro gasta muito mais do que arrecada, fato evidente quando se observa o que é oferecido nas áreas de saúde, segurança e educação.

O Brasil foi tomado pela incapacidade administrativa dos políticos, pela corrupção, pela má alocação de recursos, por ações sociais ineficazes, pela polarização partidária, pela falta de planejamento, pelo aparelhamento político e pelo excesso de burocracia. Tudo isso empurra o país para trás e torna o Estado caro, ineficiente e incapaz de entregar serviços minimamente satisfatórios.

A cidade, estarrecida com a decisão monocrática de algumas autoridades, espera que o Poder Legislativo tome medidas rápidas para impedir que a população — já tão sofrida — seja obrigada a pagar mais uma taxa abusiva.


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